#EsseEuRecomendo "El cuaderno azul"

Essa semana terminei de ler meu livro "El cuaderno azul", comprado na feira do livro de Buenos Aires (pra quem quiser, há um post sobre a feira do livro). Foi amor à primeira vista. Me encantei pela capa e me apaixonei pelo resumo do livro. E, por mais que não se deve julgar um livro pela capa, minha intuição foi ótima.



O livro, em primeira pessoa, traz ao leitor a vida de Batuk, uma menina proveniente da área rural da Índia, que é vendida por seu pai, aos nove anos, e acaba virando uma prostituta de rua em Bombai.

Apesar da história triste, o interessante é a visão que a narradora vai passando para quem a "ouve". Há, em seu relato, uma mistura de superstições e crenças, que para os leitores ocidentais nos parecem estranhas, com um resto de inocência infantil que, apesar de uma vida tão dura, não desaparece. Chega a ser angustiante os relatos tão naturalizados desta criança, e depois adolescente, em relação à exploração que sofre. Não é um livro alegre, mas é envolvente, pois comove quem lê, incomoda ao ponto de fazer o leitor pensar, refletir.

O autor se chama James A. Levine, um médico, que tem a idéia de fazer o livro ao ter contatos com crianças, que eram exploradas nas ruas,  em um hospital de Bombai. Ao escutar suas histórias e, principalmente ao ter a visão de uma menina prostituta que passava seus dias no hospital escrevendo em um caderno azul, que o autor decidiu transformar esses relatos em uma única história.

Apesar de ficção, o livro retrata de uma maneira geral uma história que poderia ser real, que pode ser real e que se parece a muitas outras histórias de crianças exploradas. E nos faz pensar até quando nós adultos fecharemos os olhos para essas aberrações. Quantas crianças nesse mundo não são exploradas sexualmente? Quantas meninas não ficam na beiras das estradas brasileiras para se prostituirem? Por que não se preocupam com elas? Por que não falam? Não reclamam? Não têm voz...

O livro traz a oportunidade de refletir sobre estas questões. Assim como o livro é capaz de comover as pessoas, que seja também capaz de mover. Por onde começamos?

*Eu li em espanhol, mas é possível encontrá-lo em português.



Besos.
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