Simples, bem simples...

Hoje li uma reportagem falando sobre pessoas que estão adotando estilos de vida mais simples, apegando-se, somente ao que é necessário e desapegando-se das coisas materiais. Achei muito interessante, pois é uma forma de pensar que me chama a atenção, até bem antes de ver a reportagem.

Sabemos que vivemos num sistema capitalista que se "alimenta" de um ciclo vicioso chamado consumismo. E para que não haja crise é necessário que as economias estejam sempre crescendo. Por isso se "comemora" tanto quando um país cresce economicamente, pois significa que está fugindo do monstro assustador chamado crise. Porém, para que esse movimento seja sempre crescente, o consumo de cada cidadão tem que ser crescente. Então, compram-se sempre muito, sempre tudo, sempre mais... Mas o que se compra? Acho que as próprias pessoas não sabem mais... E de onde vem as coisas que são compradas??? Parece simples, bem simples ir na loja comprar, é só ter dinheiro, ou não, é só ter crédito, é só parcelar. Não pensamos que o consumo tem que ser crescente, mas as reservas naturais que possibilitam a fabricação desses produtos não são crescentes. Mas não quero me voltar para esse problema da produção, pois senão não chego à conclusão do que comecei.

Assim, sem nenhum caráter científico, observo que o Brasil está consumindo mais, mas não abro um sorriso para dizer isso, como faria a presidente, pois não há a preocupação de entender o que realmente representa consumir mais. Não significa, ao meu ver, que há um maior acesso a bens de consumo importantes por parte das famílias que antes estavam marginalizadas, mas sim que as que já consumiam, passaram a poder consumir mais. E esse "passar a consumir mais", muitas vezes significa consumir o que não é necessário, significa um consumir por consumir, um colecionismo desenfreado de coisas materiais, que no fundo representam uma busca de sentido sem fim.

Por isso me pareceu interessante ver que há pessoas que pararam para repensar suas vidas. Para perceber que ir ao shopping e voltar cheio de bolsas só traz uma satisfação imediata, mas não resolve a eterna insatisfação. Que passaram a entender que uma mulher não precisa de 30 pares de sapatos, de um closet, que muitas vezes é maior que meu quarto, cheio de roupas de marca, que um homem não precisa de 10 relógios diferentes e muito menos de 4 carros na garagem.

E de certa forma, é isso que penso. As vezes até me sinto meio deslocada nesse mundo "capitalista", pois nem sequer sei nomear algumas marcas importantes de roupa. Desconheço-as totalmente. Mas pelo simples fato de que não compro, não olho, não procuro saber, não ligo. Aliás é algo meio complicado, pois a todo tempo estão dizendo que você tem que ter isso, tem que ter aquilo, tem que parecer assim, tem que ter o aparelho de última geração... E muitas vezes você tem que lutar pela sua convicção e sempre, antes de comprar qualquer coisa por impulso, pensar: "eu realmente preciso disso?". Acho que é essa a pergunta chave.

Não quero com tudo isso dizer que sou uma seguidora de São Francisco de Assis, ou querendo que as pessoas façam voto de pobreza, pois isso já é muito mais que convicção, é vocação. E também não digo que eu não consuma, e que não entro nesse "esquema" capitalista. Mas o que tento sempre fazer é pensar quais são as coisas realmente importantes pra mim, e tenho certeza que para mim o mais importante são as experiências que tenho na vida. Prefiro muito mais viajar do que ter duas bolsas da Victor Hugo (até que sei um nome de marca!). Prefiro muito mais poder passear no fim de semana do que ter uma blusinha da OSKLEN. Enfim, não acho que as pessoas têm que andar com roupa velha por aí, mas acho que têm que usar, comprar, e ter aquilo que elas precisam para estar bem, apresentáveis, bonitas, mas não chegando ao ponto de comprar coisas e nunca usar.

Então, tento seguir essa idéia, sempre me perguntando se "realmente preciso disso?" e no fim das contas, consigo juntar meu dinheirinho e viajar por alguns lugares, também sem nenhum luxo, pois o que mais amo nessa vida é poder conhecer lugares diferentes, ter contato com essas pessoas e perceber o quanto esse mundo é enorme e como a vida segue em outros lugares mesmo que não esteja diante de nossos olhos.

Nossa, escrevi muito...

Besos!

Postagens mais visitadas